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Ilhas paradisíacas, mar transparente e muitas opções de ancoragem fazem da porção oeste da baía de Angra dos Reis, um dos melhores destinos náuticos do país. 
Se você fosse da Marina Bracuhy até a cidade histórica de Paraty em linha reta seriam pouco mais de 25 milhas náuticas. Uma boa lancha cobriria o percurso em aproximadamente uma hora de navegação. Em um veleiro, o passeio seria mais saboroso e duraria cerca de três horas. Mas ninguém deve cometer esse desatino - a não ser em caso de urgência máxima -, pois é justamente esse pequeno trecho de mar, do imenso litoral brasileiro, que reserva alguns dos locais mais interessantes para você curtir o seu barco. Começando pelos dois extremos, os pontos de partida e de chegada. 
A Marina Bracuhy (22 graus56 min 29 seg S, 44 graus23 min 25”O) é hoje uma das mais bem equipadas do país. Localizada dentro de um complexo maior, o Porto Marina Bracuhy, atualmente há cerca de 700 embarcações sob sua guarda. A estrutura náutica é bem completa. A bacia de evolução (com 108 mil m²) é superabrigada. Existe ali um travel-lift com capacidade de 20 toneladas, carreira para barcos de até 150 toneladas, além de uma boa rampa. A marina conta ainda com um posto de abastecimento náutico, lojinha de conveniências, serviços de marinharia, reparos em fibra e madeira, mecânica, eletricistas, velerias, e outros, além da sala de rádio (Eco 62) que funciona durante 24 horas nos canais 68 e 16 (VHF).
 Logo na saída do canal da marina você já pode se deliciar com a água clara e milhares de peixinhos, em cardumes, evoluindo bem embaixo do seu barco. Logo ali em frente, a 1,3 milha, já está a ilha das Palmeiras, que possui bela enseada, bem abrigada na sua parte sul (22 graus58 min 57 seg S , 44 graus24 min 7 seg O). Mas é em frente à ilha das Palmeiras, na vizinha ilha de Itanhangá (22 graus59 min 21 seg S, 44 graus24 min 44.68 seg O), que está o melhor. Itanhangá é um local muito procurado pela segurança que oferece e sua facilidade de acesso. Além disso, tem uma prainha muito acolhedora, com águas limpas e tranqüilas. Nesta ilha há um bar que atende seus visitantes com cozinha caseira, na qual se pode saborear um bom peixe frito, camarões, frutos do mar, além de cerveja e refrigerante sempre gelados. O único inconveniente é que no alto verão você pode se sentir em um verdadeiro congestionamento marítimo. Fora de temporada, porém, é parada obrigatória! 
Seguindo nosso roteiro, você pode desviar para noroeste e dar um pulinho na Marina Porto Frade (22 graus58 min 27 seg S, 44 graus26 min 4 seg O), um badalado ponto de encontro de Angra dos Reis com restaurantes, bares, pizzaria, creperia, sorveteria, delicatessen, lojas de moda, náutica e decoração, spa, etc. Ou pode seguir adiante e fazer mais um pit-stop sem pressa em outra bela ilha. Quer dizer, seguir quase adiante, porque você vai se afastar um pouquinho de Paraty, mas vale a pena.Estamos falando da ilha da Gipóia. Na sua parte de dentro, está a praia do Amaral (23 graus 2 min 16 seg S, 44 graus21 min 36 seg O). Deserta, é a melhor opção para quem quer sossego. É bom lembrar que ali não existe bar, ou qualquer outra infra-estrutura para turistas. Por isso é bom levar seu próprio “farnel”. Mas a praia, de areia branquinha e água transparente, dispensa qualquer adjetivo. 
De lá, você pode contornar a ilha e fundear na famosa praia do Dentista (23 graus 2 min 48 seg S, 44 graus21 min 50 seg O), igualmente bela e bem mais “selvagem” e, atenção, desprotegida do sudoeste - o vento que traz o mau tempo na região -, ou seguir, agora sim, no rumo de Paraty. A 7 milhas do Dentista, quase no rumo oeste, está outra bela ilha, a do Sandri (23 graus 2 min 50 seg S, 44 graus29 min 58 seg O). Os adjetivos já estão começando a faltar para este jornalista, mas a ilha do Sandri também é um pequeno pedaço de paraíso. Semideserta, há ali apenas uma casinha de pescador, sua enseada (norte) completamente abrigada tem um bom fundo de areia e permite até um pernoite com tranqüilidade. A água? É linda, os peixes numerosos e o encantamento é seu deslumbramento, perfeitamente aceitável! 
De lá, seguindo mais a oeste, chegamos à ilha do Cedro (23 graus 4 min 01 seg S, 44 graus38 min 03 seg O). Cenário para qualquer pintor delirar, a ilha do Cedro é bem protegida por um conjunto de outras ilhas. A vista é muito bonita, com a praia de São Gonçalo à frente das montanhas da serra do Mar. A dança dos golfinhos na chegada à ilha é sempre um espetáculo. O boto-cinza, tipicamente costeiro, relativamente comum ao longo da costa atlântica tropical e subtropical da América do Sul e Central, parece gostar da bela paisagem que ali se encontra. Mas atenção com as diversas lajes e olho na carta náutica! Ao se aproximar da enseada da ilha passe mais a oeste da lajinha e não nunca pelo canal, entre a ilha do Caroço e a ilha do Cedro. Nesta altura, já estamos nas proximidades de Paraty. Além do centro histórico, patrimônio inestimável de nossa cultura, com seu charme único e dezenas de atrações culturais e gastronômicas, Paraty tem uma noite agitada e divertida. Mas ainda há muito para ver no mar. A começar por onde ficar. Um bom lugar é a Marina do Engenho, do Amyr Klink (23 graus13 min 740 seg S, 44 graus41 min 634 seg O). A marina tem energia elétrica, água doce e banheiros masculinos e femininos, com chuveiros de água quente e um bom atendimento. Na chegada você pode ligar para o Luiz Pizão, no (24) 7834-0791 / (24) 9999-9957 ou chamar no VHF, canal 68. A diária da marina é de R$ 50,00 e um táxi para a cidade sai por R$ 25,00. De lá, quando você se recuperar da balada, uma boa dica é levar seu barco para conhecer as atrações “locais”. O pessoal da marina saberá orientá-lo, mas a praia do Engenho, no saco de Jurumirim, onde se esconde o Amyr Klink, é obrigatória. De lá, você pode ir para as ilhas Duas Irmãs (23 graus12 min 36 seg S, 44 graus41 min 21 seg O), comer no bom restaurante Kontiki, que traz cardápio variado de frutos do mar, e apreciar o cair da tarde. Ainda nas cercanias da cidade, há passeios imperdíveis como a belíssima ilha da Cotia (23 graus13 min 37 seg S, 44 graus38 min 25 seg O), passando pela ilha do Catimbau (23 graus11 min 32 seg S, 44 graus37 min 20 seg O), que tem um restaurante nas pedras, muito bem enquadrado ao meio-ambiente, com seu estilo rústico de bom gosto. A Ilha Comprida, do ladinho da Catimbau, possui um incrível “aquário” natural. Ali vale o mergulho entre os peixes antes de voltar à marina, em Paraty mesmo ou em Angra. Só na região de Paraty há mais de 50 ilhas ou ilhotas com as mais variadas formas e tamanhos. Diz a lenda que a baía de Angra possui 365 delas, uma para cada dia do ano. Um verdadeiro parque temático marítimo ente São Paulo e Rio. E lembre-se: antes de ir para o mar é preciso verificar as condições de sua embarcação, ter à mão sua habilitação e os documentos do barco. Material de salvatagem, coletes salva-vidas, água e comida para qualquer emergência. Um bom GPS e um rádio VHF também são itens importantes para sua segurança, assim como um telefone celular que, hoje em dia, pega em praticamente toda a baía de Angra. No mais é só a disposição e o desejo de passar dias de sonho em uma das baías mais bonitas do mundo. Para ver mais waypoints na baía de Angra clique em: http://www.icar.esp.br/waypoints2.htm Murillo Novaes |